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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Budweiser ataca Cervejarias Artesanais e é Retaliada.

Quase todo mundo sabe que o intervalo publicitário mais valioso da Televisão Mundial acontece durante o Super Bowl nos EUA. Enquanto os grandes campeões das principais ligas de Futebol Americano do país se enfrentam em campo, na televisão são exibidos os comerciais mais caros da história. E a famosa cervejaria americana Budweiser (do grupo InBev) é conhecida pelas grandes produções publicitárias que costuma lançar durante a ocasião, esse ano, porém, a empresa surpreendeu negativamente ao exibir um comercial atacando as Cervejas Artesanais.

Confira o vídeo:

O comercial é malicioso desde o princípio: o vídeo se inicia com imagens de malte de cevada e lúpulo em flor, acompanhados dos dizeres: "Budweiser, orgulhosamente uma Macrocervejaria". Até aí tudo bem, ninguém deve se envergonhar de ser um gigante do setor, mas "curiosamente" não exibiram nenhuma cena dos grãos de arroz que são utilizados na produção de uma Bud. Quem orgulhosamente utiliza apenas Malte e Lúpulo na elaboração de suas cervejas são as MICROcervejarias e não as Macro. Mas essa distorção da realidade com relação aos seus produtos não é novidade em se tratando de propaganda de grandes marcas de cerveja. 

O que se segue, porém, não é mais uma tentativa de cativar o público ou mostrar que possuem um produto diferenciado e sim um ataque direto ao CONSUMIDOR de cervejas artesanais. As próximas cenas mostram alguns "Hipsters" degustando cervejas variadas em diferentes copos em meio aos dizeres: "Nossa cerveja não é fabricada para ser mimada" e "Fabricada para ser bebida e não dissecada", em uma clara crítica ao costume que os consumidores de cervejas artesanais possuem de analisar a cerveja em seus mais variados aspectos, começando pela aparência, depois aroma e só então levando a bebida à boca. E continua: "As pessoas que bebem nossa cerveja são pessoas que gostam de beber cerveja". 

Esse hábito de apreciar a cerveja ao invés de simplesmente engoli-la aos litros não deriva do fato de o consumidor de cervejas artesanais ser um "hipster fresquinho", isso ocorre porque as cervejas que bebemos são bonitas, possuem colorações e tonalidades das mais variadas e são extremamente aromáticas e saborosas. Ninguém faz isso quanto bebe uma Budweiser ou uma Brahma porque não há nada novo a ser apreciado ali, elas sempre são iguais na aparência, não tem aroma nenhum e nem gosto. Servem apenas para matar a sede e embriagar. Ao contrário do que sugere o comercial, quanto mais uma pessoa gosta de beber cerveja, mais essa pessoa irá procurar por estilos e sabores variados e não viver empacado em uma única marca que é quase igual a todas as concorrentes.

O vídeo continua com os dizeres "Fabricada à maneira mais difícil", o que é uma incoerência sem fim, pois quem faz cerveja "brewed the hard way" não é a InBev, que possui fábricas enormes e equipamentos automatizados de última geração, cerveja feita à maneira mais difícil é a cerveja brassada pelas pequenas cervejarias que se utilizam de processos artesanais e a presença do cervejeiro é fundamental em todos os pontos da produção.

E finalmente o último e mais infeliz ataque aos bebedores de cervejas artesanais, enquanto são exibidas torneiras de chopp de variados estilos de cerveja aparecem os dizerem: "Deixe-os sorverem suas cervejas de abóbora e pêssego". São tantas contradições nessa frase que dá até pra se perder. Primeiro os americanos têm orgulho de suas Pumpkin Ales (cervejas com abóbora) comemorativas lançadas normalmente apenas perto do Halloween e segundo porque a última aquisição do grupo foi a Elysian Brewing, uma microcervejaria que produz exatamente esse estilo de cerveja!

No meio da confusão toda aparecem também os dizeres "Esta é a única cerveja", "Só há uma Budweiser" e "Esta é a famosa Budweiser Beer". Se esqueceram no entanto de mencionar que o nome Budweiser foi roubado de uma cervejaria da cidade de Budvar na Republica Tcheca, a primeira e autêntica Budweiser, de quem a americana surrupiou o nome, registrando a marca nos EUA antes que a cervejaria tcheca o fizesse.

O comercial tem gerado enorme repercussão, não se fala em outra coisa no cenário cervejeiro mundial e as pessoas estão tomando partido. Obviamente entre as Microcervejarias americanas o vídeo não foi muito bem visto e elas não perderam tempo em contra-atacar a gigante cervejeira. Até mesmo algumas brasileiras estão respondendo.

As respostas que você também confere aqui no Blog vieram em forma de imagens e vídeos que seguem o estilo do comercial milionário, A Abita Brewing e o Hopstories fizeram estes vídeos:


o vídeo possui frases como "Não somos um cachorrinho de exibição" (provavelmente uma alusão ao comercial da Budweiser no Super Bowl do ano passado, em que o personagem principal era um filhotinho de cachorro. ) e "Sim, nós fazemos cerveja de abóbora e pêssego e é uma delícia", "Nós não fazemos apenas um estilo de cerveja" "Nós fazemos cerveja para se beber, degustar e aproveitar".


Tradução: "Cerveja Artesanal, orgulhosamente produzida por pessoas. Não é produzida para ser repreendida, é produzida para ser apreciada, é a única cerveja cheia de sabores. Existem muitas Cervejarias Artesanais, cada uma delas oferece sabores únicos. Apenas a Cerveja Artesanal é produzia a mão, a verdadeira "maneira difícil". Nós vamos saborear nossas centenas de estilos, continue empurrando o seu único. A cerveja artesanal é nova, é excitante e chegou para ficar. Beba uma artesanal".


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A Cervejaria Mikkeller enviou uma carta sensacional para a Budweiser para que a Ambev compareça ao Copenhagen Beer Celebration que acontecerá dias 1 e 2 de maio de 2015 em Copenhagen. A carta segue na íntegra, mas basicamente o texto diz que a Mikkeller é uma pequena cervejaria da Dinamarca e que eles viram o comercial no Super Bowl mas que nunca olharam para a Budweiser como uma oponente ou um competidor direto e que eles apreciam as diferenças na comunidade cervejeira, mas que o comercial passou a impressão de que algo mudou e que talvez fosse uma boa ideia eles se reunirem para poderem se entender melhor. Na sequência o texto explica como funciona o evento, dizendo que cada cervejaria convidada leva algumas cervejas especiais, aquelas de que eles mais se orgulham e sugere que a ImBev leve um lote especial envelhecido da sua cerveja de abóbora e pêssego chamada Elysian que provavelmente faria bastante sucesso na Europa já que é um estilo que não se encontra por lá e é tão popular na América, mas adverte que não podem levar nenhum tipo de cartaz ou propaganda, é um evento apenas para cerveja, que haverão mais de 40 cervejas diferentes e esperam que eles aceitem o convite pois será muito prazeroso. Um belo tapa com luva de pelica, não?





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A Miller Coors, uma Macrocervejaria, divulgou essa imagem também em resposta ao comercial, onde dizem acreditar que todas as cervejas devem ser "mimadas" pois apenas assim é possível produzir verdadeiras obras primas, e cita seus rótulos descrevendo-os. Continua dizendo que qualidade não é exclusividade de apenas um estilo de cerveja ou de uma cervejaria, é algo que pertence a todas as pessoas que se comprometem em produzir e distribuir de maneira consistente as melhores cervejas do mundo, que eles acreditam que estão cumprindo com esse compromisso com todos os seus rótulos e estilos. E que certamente eles sabem que não são as únicas pessoas apaixonadas produzindo cervejas de grande qualidade, que produzir qualquer cerveja é um ofício e que quando bem feito deve ser respeitado.
Vá em frente, mime-a e disseque-a; nossa cerveja é feita do jeito difícil.
"Produzida à maneira apaixonada" - a brasileira Bamberg também respondeu.



A minha opinião é de que isso tudo é muito divertido de se acompanhar e agora está mais do que provado que as cervejarias artesanais estão causando medo nas gigantes do setor. Alguns ainda estão dizendo que está se fazendo muito barulho por pouca coisa, mas ainda assim achei o comercial desrespeitoso, não faz o menor sentido atacar o consumidor de cervejas artesanais, até porque a imensa maioria deles também consome as cervejas populares - e bem feliz - em várias ocasiões, apenas temos a consciência de que existem inúmeros outros estilos de cerveja que são muito mais complexos e gostosos de se beber. De maneira arrogante o comercial desrespeita não só os consumidores como todas as cervejarias artesanais, desmerecendo o cuidadoso trabalho que é realizado de maneira verdadeiramente apaixonada por essas pessoas. O Império está se sentindo incomodado, viva a Revolução Cervejeira!































quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Era Jesus um Cervejeiro?

Toda religião é cercada por mitos e rituais que nem sempre -quase nunca- correspondem fielmente à realidade, e, com o cristianismo, não seria diferente. O próprio Natal é um exemplo disso, comemoramos o dia 25 de dezembro como sendo a data do nascimento de Jesus, o que não é verdade. Já é consenso entre os estudiosos do Novo Testamento e da origem do cristianismo, que Jesus não nasceu no dia 25 de Dezembro. Na realidade, no dia 25 de dezembro já era comemorado pelos romanos o "Natalis Solis Invicti" ("nascimento do sol invencível"). Era uma festividade pagã destinada ao deus Mitra, um deus Persa muito popular em Roma, que acontecia no solstício de inverno. Até por volta do século IV os romanos eram pagãos, os cristãos eram poucos e perseguidos. O Imperador Constantino, porém, se converteu ao cristianismo, elevando o status da religião, e, para facilitar a assimilação da nova religião oficial e ao mesmo tempo "extinguir" a comemoração pagã, os romanos se aproveitaram da data que já era comemorativa e a "cristianizaram", a primeira comemoração do nascimento de Jesus em 25 de Dezembro se deu no ano de 354 d.C., mais de trezentos anos depois do nascimento e da morte do cara! Uma vez que a data exata de seu nascimento será para sempre um mistério, particularmente acredito que a escolha foi ótima, de uma certa forma continuamos até hoje a louvar o Sol, que é mais do merecedor de uma data comemorativa. 

Mas a motivação dessa postagem não é descobrir quando Jesus nasceu, muito mais nobre e polêmica, nós queremos é descobrir o que Jesus bebeu! O cineasta, ilustrador, músico e escritor português Afonso Cruz lançou há um par de anos um romance chamado "Jesus Cristo bebia cerveja". Na obra em questão, a personagem principal, Rosa, quer realizar o desejo de sua avó de conhecer Jerusalém, porém a neta não pode leva-la até lá e decide então trazer a Cidade Santa até a velha, para isso ela contará com a ajuda do professor Borja, um erudito que decide ajudar Rosa a recriar Jerusalém com uma condição: precisão histórica e fidelidade a detalhes importantes, dentre eles está o fato de que Jesus bebia cerveja e não vinho!

No livro o professor Borja é taxativo ao dizer: -"O que se bebia no espaço geográfico em que Cristo habitava era cerveja. O vinho era uma bebida de romanos, dos invasores. Cristo não iria beber a bebida dos ricos, dos opressores”. -Ainda que seja uma afirmação capaz de causar surpresa em muitos, este detalhe do livro não é mera liberdade artística, ele se baseia em estudos históricos e na realidade é inclusive bastante lógico. A produção de cerveja sempre esteve associada com a do pão, justamente por seus ingredientes serem os mesmos: trigo e cevada. E o pão era a base da alimentação na época e na região onde Jesus viveu, que não era produtora de uvas, seguramente ali também se produzia cerveja. Temos que nos lembrar de que a cerveja nessa época não era bebida com as mesmas finalidades com que a bebemos hoje, além de alimentar ela era uma fonte segura de hidratação (havia muita água contaminada), uma vez que era fervida em sua produção e por possuir álcool, ainda que em proporção bem inferior à das nossas cervejas. Estima-se que o teor alcoólico atingisse no máximo 3% devido à fermentação espontânea e incompleta. Essa fermentação incompleta também a deixava mais nutritiva. 
                
A importância da cerveja como fonte de hidratação na antiguidade era tamanha que durante a idade média na Europa, uma cidadezinha da qual não me recordo o nome, escapou quase ilesa da peste negra porque seu senhor feudal, esperto pra chuchu, decretou a proibição do consumo de água, substituindo-o pelo de cerveja. Como resultado a transmissão da doença diminuiu muito e a cidade pôde sobreviver à epidemia sem maiores danos. 
              
Mas voltando à época de Jesus, a cerveja seguramente era produzida e consumida, não como uma bebida alcoólica mas como alimentação diária e uma maneira segura de se hidratar. 

              
O vinho era a bebida dos romanos, povo que dominava a região, era de fato a bebida dos ricos e dos opressores, que por se considerarem superiores ao povo dominado, consideravam também sua bebida superior, repugnando a cerveja e colocando-a em uma posição inferior à do vinho, era a bebida dos bárbaros e selvagens ao passo que o vinho era a bebida das pessoas civilizadas. Segundo os romanos a cerveja era “um suco malcheiroso de cereal putrefato” que diziam causar mal hálito. 
                
Compreendendo todo esse cenário fica difícil imaginar como e porque Jesus optaria pelo luxo de beber vinho no lugar da cerveja. Primeiro porque não era nobre, era um judeu pobre como tantos outros que não possuíam condições e nem o hábito de consumirem vinho. E segundo porque seria uma atitude totalmente incoerente com sua filosofia e suas atitudes. 
                 
Por outro lado, para os romanos não era nada atrativa a ideia de um deus que bebesse cerveja no lugar de seu adorado vinho e depois de Constantino se tornar cristão, o resto dos romanos, que até então perseguiam os cristãos, também deveriam seguir o mesmo caminho. E eles, assim como os gregos, possuíam uma relação muito longa e profunda com o vinho, haviam deuses dedicados ao vinho que ainda eram cultuados e precisavam ser aos poucos esquecidos e substituídos por apenas um novo deus. Assim como os romanos extinguiram uma festividade pagã que comemorava o nascimento do Sol, substituindo-a por uma festa cristã de celebração ao nascimento de Jesus, substituíram também a bebida de Jesus pela sua bebida, criando assim um Ser muito mais "interessante" aos olhos romanos.
                

Nessa época o cristianismo era difuso, existiam vários grupos cristãos e suas crenças não eram exatamente iguais. No ano de 325 d.C., o Imperador Constantino reuniu os mais influentes bispos cristãos no famoso Concílio de Nicéia, uma reunião que deveria acabar com aquela bagunça e definir quais seriam as doutrinas oficiais do cristianismo. Foram vários os assuntos discutidos e definidos, entre eles, quais dentre os inúmeros livros que tratavam da vida de Jesus seriam considerados oficiais pela igreja. Política e Religião sempre se confundiram e prevaleceram os interesses dos Cristãos Apostólicos Romanos. Depois de selecionados os livros, os mesmos, que muitas vezes já vinham de traduções feitas por outros povos e já possuíam alguns erros, foram traduzidos para o latim pela Igreja Romana e sofreram algumas modificações, algumas acidentais em função do idioma, outras um pouco mais convenientes, Jesus beber vinho
 era não somente mais atrativo para o povo romano, como foi também uma baita jogada de marketing uma vez que Roma era produtora da bebida.


O primeiro milagre de Jesus, a transformação de água em vinho nas Bodas de Canaã, afirmam os historiadores que teriam sido os gregos responsáveis por um engano que perdurou por milênios. Os escritos originais possuíam uma expressão que significava "bebida forte" e que teria sido traduzida primeiramente pelos gregos como "vinho". Maurício Beltramelli ensina em aula que tive o prazer de assistir e também em seu livro "Cervejas Brejas e Birras" que até hoje em muitos colégios alemães esse milagre é ensinado aos alunos de maneira diferente da que conhecemos. Lá eles ensinam que a água teria sido transformada em cerveja e não em vinho! O que também faz muito sentido, sendo o vinho caríssimo na época e o casamento em questão, uma festa simples de pessoas humildes que não teriam condições de bancar fartas quantidades de vinho. 

Outro ponto interessante e ainda mais polêmico diz respeito à seita Nazarita. Quem fazia o voto de nazireno deveria deixar o cabelo crescer, evitar bebidas e alimentos provenientes da uva, não consumir bebidas fortes e não tocar em cadáveres. João Batista, primo de Jesus, é o último nazireno de que se tem registro na Bíblia, mas há quem defenda que Jesus também teria feito o voto de nazireno, o que explicaria o cabelo comprido e o consumo de cerveja, uma vez que esta não era uma bebida muito forte na época, tampouco era feita de uva. A proibição de tocar em cadáveres é o ponto mais polêmico dessa afirmação, se Jesus de fato tivesse feito o voto de nazireno, ou ele não estava lá muito preocupado com o juramento e seguiu ressuscitando os mortos, ou nunca houve milagre assim. 
             
Apesar de ser esta uma questão que provavelmente jamais será resolvida com certeza, se analisarmos todo este cenário torna-se bastante coerente pensar que Jesus, de fato, provavelmente bebia cerveja e não vinho. Além de ser a cerveja comprovadamente produzida e consumida naquela região e o vinho ser uma bebida estrangeira, cara e consumida pelos opressores, o cara era cabeludo, gente boa e cheio de idéias avançadas, faz muito mais o perfil de um cervejeiro do que dos esnobes bebedores de vinho, não?






sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Kölsch Abaixo de Zero

            Uma das primeiras coisas que aprendemos quando estamos iniciando no Universo Cervejeiro é que as temperaturas extremamente baixas não são tão aliadas da cerveja quanto costumávamos crer. Na realidade, apenas uma parcela dos diversos estilos de cerveja existentes é que são apropriados para serem consumidos "estupidamente gelados". Isso ocorre porque nossas papilas gustativas acabam sendo anestesiadas quando entram em contato com o líquido muito gelado, o que nos impede de sentir os sabores mais complexos que uma cerveja mais elaborada possui. 
             Mas o tema da postagem, apesar de ainda ser gelado, é outro, nessa semana subestimamos nosso novo fermentador e o resultado foram mais de 80 litros de Kölsch totalmente congelados, senhores! Precisamos descartar tudo, uma tragédia! 

Aviso: As imagens a seguir são fortes.



              Aconteceu o mesmo que acontece quando se esquece uma garrafa de refrigerante no congelador e ela congela completamente;  quando começa a descongelar, o xarope derrete primeiro e se separa da água, detonando a coisa toada. Aqui foi exatamente isso. Na foto ao lado, o que parece espuma na verdade é gelo. A água ficou congelada e o que derretou foi uma espécie de xarope de malte. 




               
              








 
              Precisamos circular água morna pelo fermentador para acelerar o derretimento pois levaria alguns dias até que esse negócio retornasse ao estado líquido. 
                   Pois é meus amigos, nem tudo são flores na vida do cervejeiro!


sexta-feira, 7 de março de 2014

Chernobyl Brown Ale - Parte I

          Já faz algum tempo que pretendo publicar artigos mostrando  passo a passo a elaboração das cervejas, mas os fermentadores estavam ocupados com outras levas que eu não havia registrado o suficiente para fazer uma postagem.
          Ainda não me decidi sobre como farei estes artigos, mas como quero publicá-los logo, não vou esperar até que a cerveja fique pronta para postar, primeiro farei uma espécie de review de algumas cervejas que possuem semelhança com a que desejo produzir e posteriormente vou postar um novo artigo com a Receita e a Brassagem e então vou atualizando a postagem a cada nova etapa, provavelmente assim ficará até mais completo. 
         Para elaborar uma receita, depois de pesquisar bastante sobre o estilo e os ingredientes, gosto de degustar algumas cervejas que possuam os mesmos ou pelos menos ingredientes semelhantes aos que pretendo utilizar, para conseguir entendê-los na prática e finalmente concluir a receita com base no que percebi e gostaria de produzir. 
          Para essa Brown Ale selecionei alguns rótulos que encontrei na prateleira do supermercado e que acredito possuírem uma ou outra características que desejo obter quando a cerveja estiver pronta. 

                                                                      

            BROOKLYN - BROWN ALE:
          Foi a única cerveja da lista exatamente no estilo da cerveja que pretendemos fazer, muitos cervejeiros a consideram uma das melhores Brown Ales do mercado, além de ter um preço acessível. De fato é excelente, de cor âmbar escuro, próximo ao tom de uma garrafa de cerveja, translúcida; nota-se no aroma suaves notas de torrado e caramelo e percebe-se também o aroma herbal do lúpulo. O mesmo acontece com o sabor, é possível sentir um suave amargor torrado e também de lúpulo. Espuma cremosa que diminui rapidamente, mas continua no copo até o fim. Boa Drinkability.







          EISENBAHN - RAUCHBIER
         Confesso que não conhecia o estilo (Rauchbier), escolhi esta por indicação da Livia e do Daniel, um casal de grandes amigos cervejeiros que me alertaram sobre o incrível sabor defumado dessa cerveja. A cerveja me surpreendeu, eles não exageraram ao dizer que parece carne defumada. Com pouca (pouquíssima) espuma - apesar de isso poder ser culpa minha, que talvez não tenha secado adequadamente o copo depois depois de beber a Brooklyn - e uma cor que lembra chá mate, acreditem quando digo que o aroma é exatamente o de carne defumada. E fica melhor: O sabor também. Não há descrição melhor, esta deliciosa cerveja tem cheiro e sabor de carne defumada. Pode parecer estranho, mas não é, é delicioso. Altíssimo drinkability, mal se nota o teor alcóolico que não é nada baixo, 6,5%. Perfeita para acompanhar petiscos sabor churrasco e carnes em geral. Não é exatamente o tipo de sabor defumado que procuro para esta Brown Ale, mas definitivamente farei uma Rauchbier em breve. 





          WAY BEER - CREAM PORTER
          Apesar de se tratar de uma Porter, cerveja que inclusive já fizemos, escolhi esta Cream Porter por sua prometida cremosidade oriunda de flocos de aveia não maltada. Com um delicioso aroma de café e toques de caramelo, não se nota tanto o lúpulo nem no aroma e nem no sabor, que também remete a café e caramelo. A espuma é média, porém se mantém no copo por bastante tempo e é muito cremosa. Sem falsa modéstia, me senti orgulhoso ao notar fortes semelhanças com a Chernobyl Brown Porter que produzimos alguns meses atrás. É mais cremosa, porém. Me lembrarei da aveia em nossa próxima leva de Chernobyl Brown Porter. 




                 EISENBAHN 5 ANOS - AMBER LAGER
         Se a Eisenbahn Rauchbier me surpreendeu positivamente, essa aqui teve o efeito oposto. É uma cerveja muito bonita, com uma bela cor de cobre, translúcida,  formação de espuma média mas que te acompanha até o fim. Quanto ao aroma e ao sabor, pelo fato de ter sido usada a técnica de Dry Hop, eu realmente esperava muito mais. O Dry Hop é usado para realçar o sabor e o aroma do lúpulo e não creio que foram muito bem sucedidos, é possível se sentir o aroma de lúpulo, mas nada muito pronunciado, quanto ao sabor, nota-se bastante o amargor proveniente dos Ácidos Alfa do lúpulo, mas não tanto o seu gosto. É uma cerveja boa, mas apenas isso, já não sei porque a escolhi rsrs.  







  COLORADO TITÃS - BROWN ALE COM LARANJA
          E para finalizar, mais uma Brown Ale, dessa vez, porém, uma que como alega a própria Colorado, transgride um pouco as regras e foge do rigor do estilo, algo que também pretendo fazer, mas de maneira diferente. É uma cerveja muito bonita, escura mas não preta, espuma levemente marrom de boa formação e muito cremosa. Percebe-se suavemente o torrado no aroma. Com um rótulo que chama tanta atenção para laranjas suculentas, pode-se pensar que talvez seja levemente cítrica ou frutada, ledo engano. A cerveja não leva realmente laranja ou suco de laranja como muitos podem vir a crer, mas sim casca de laranja seca, que tem como função dar um amargor que lembra o da bebida Cointreou. É uma cerveja boa, mas devido ao marketing que fazem com o fato de levar "laranja" na composição, pode acabar decepcionando algumas pessoas que talvez procurem pelo sabor da fruta, por outro lado, apreciadores de Cointreou vão gostar. 



          Algumas mais outras menos, todas são cervejas muito boas e recomendo todas, mas especialmente a Eisenbahn Rauchbier que é uma cerveja muito diferente e deliciosa. Até o próximo episódio onde postarei a receita da Brown Ale que vamos fazer e o resultado da Brassagem; neste mesmo BatCanal, não perca!








         

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cerveja Hidrata como Água e mais do "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde"

Prática muito conhecida, pelo menos no universo masculino, a de tomar aquela cervejinha marota depois de uma atividade física, principalmente depois de um futebolzinho. Tenho um amigo, aliás, que costumava levar o copo e a garrafa de cerveja para a beirada do campo para se hidratar. “É minha Gatorade”, dizia.
O "Sheldon" está até em dúvida se vai encarar essa Weiss rs
E não é que desde 2011, um estudo apresentado em Bruxelas no "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde", onde participaram especialistas em medicina, nutrição e alimentação da União Europeia, já havia provado que a teoria do nosso sedento companheiro não apenas estava certa o tempo todo, como também é recomendável! 
A pessoa a quem devemos nossa gratidão pela realização deste importante estudo é o pesquisador Manuel Castillo da Universidade de Granada. Ele desejava comprovar se o hábito de beber cerveja após a prática de atividades físicas era de fato saudável e a conclusão a que chegou foi de que uma quantidade moderada de cerveja "não prejudica a hidratação após o exercício". Tomar cerveja seria "a mesma coisa que tomar água", por isso é recomendado o consumo da bebida fermentada a todas as pessoas que não tenham nenhuma contraindicação.
Já o médico o médico Ramón Estruch, do Hospital Clínico de Barcelona, por sua vez, deu seu “show” ao afirmar que os resultados dos estudos mostram que o consumo moderado de cerveja "ajuda na prevenção de acidentes cardiovasculares, graças aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios das artérias". Além disso, proporciona proteção contra fatores de risco cardiovascular, como diabetes, melhora a pressão arterial, regula o colesterol e previne a arterioesclerose, segundo a pesquisa. Para encerrar a participação com chave de ouro, Estruch ressaltou a importância de "consumir a cerveja dentro de um padrão de alimentação saudável,.”
Universo Masculino...tsc, tsc...
E representando a ala das mulheres, Maria Teresa Fernandez Aguilar, pesquisadora da Agência da Saúde de Valência, informou sobre os efeitos benéficos da cerveja sem álcool para as mães lactantes. Ela citou o estudo que demonstrou que crianças amamentadas por mães que consumiram duas cervejas sem álcool durante a lactação têm menos possibilidades padecer de doenças como câncer e arteriosclerose, devido à transmissão dos componentes antioxidantes da bebida. Lembrando mamães, nem toda cerveja dita sem álcool é de fato totalmente isenta de álcool, cuidado! A Brahma 0,0% é um exemplo de cerveja que é de fato sem álcool, e é tão "boa" quanto a Brahma normal.
Durante a conferencia, ainda, foi apresentado um estudo que descartou que exista qualquer relação entre beber cerveja e a famosa “barriguinha de chopp”. Na medida certa, e na medida errada aos finais de semana, uma cervejinha vai te trazer uma vida longa e feliz! Prost!




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vaca Brava - "Beer Shake" de Cerveja Porter.


A postagem de hoje foi dica de um grande amigo meu, que se não é um Brassador, compensa sendo Bravo e, principalmente, Bêbado.  Vem bem a calhar com o clima “vamos ver até onde você aguenta antes de entrar em combustão espontânea” que temos enfrentado. Trata-se de um “Beer Shake” que lembra a famosa “Vaca Preta”, mas usando cerveja Porter no lugar de Coca-Cola.

Para deixar com mais cara de Milk Shake usei também calda de chocolate e Ovomaltine. Por que Ovomaltine? Porque funcionou no Bob’s. Usei 3 bolas de sorvete de creme, mas imagino que ameixa e chocolate sejam boas opções também. 
                                                                          




-Comece colocando a calda de chocolate em toda a volta do copo. 






-Na seqüência coloque metade do sorvete.





-Adicione 200Ml de uma cerveja Porter. 







-Fiz com a Chernobyl Brown Porter, uma cerveja escura que ficou muito boa,  produzida por nós mesmos.



Misture tudo, em seguida coloque o resto do sorvete e uma colher de sopa de Ovomaltine; misture novamente. O achocolatado vai deixar o “drink” cheio de flocos crocantes.
Pronto, decore, caso queira, com mais Ovomaltine e calda de chocolate. A cerveja Porter combina muito bem com esses sabores de sorvete. Especificamente no caso da cerveja que usei, o aroma achocolatado e o sabor amargo puxado para café casaram perfeitamente com todos os ingredientes.
Pode parecer um pouco exagerado “gastar” uma boa cerveja em uma espécie de milk shake, mas o drink é realmente saboroso, e no calor que estamos enfrentando, é uma maneira criativa de beber uma Porter, uma cerveja mais apropriada para um dia de temperatura mais amena. Lembrando que apesar de conter pouco álcool, este ainda é um drink alcoólico. 
             Por hoje é isso, experimentem e comentem!