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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

É Pavê ou "Pá beber"? - Pavê de Caipirinha

Recentemente desafiamos a Srta. Jaida Martinelli, criadora do perfil @ACervejeira no Instagram, a desenvolver uma receita de Pavê que tivesse a cachaça como um dos principais ingredientes.
O Resultado foi o Pavê de Caipirinha, uma sobremesa que, além de quebrar paradigmas no universo dos ditados infames, ficou deliciosa.

Segue a artimanha do pospasto:

Ingredientes:
1 lata de creme de leite
2 latas de leite condensado
4 colheres de sopa de leite ninho
2 envelopes de gelatina sem sabor
2 limões
Pacote bolacha de champagne
100 ml de cachaça +ou-

Bata no liquidificador;
1 lata de creme de leite
1 lata de leite condensado
4 colheres de sopa de leite ninho
1 pacote de gelatina sem sabor ( já diluído em aproximadamente 50ml de água morna)
- depois de batido acrescente a cachaça aos poucos. (vá provando para que fique agradável ao seu paladar) e bata novamente.

Na forma, disponha as bolachas de champagne e despeje o creme. Leve à geladeira para endurecer um pouco enquanto prepara a segunda camada.


Retire as raspas dos limões e reserve. Muito cuidado para não retirar as partes brancas pois elas trarão um amargor desagradável. 

Em um recipiente misture;
-1 lata de leite condensado 
-suco de 2 limões 
-1/2 envelope de gelatina sem sabor, previamente diluído em água morna.
-cachaça (adicione aos poucos, vá provando)
-Raspas de limão 

Retire a forma da geladeira, monte a segunda camada de bolachas de champagne e acrescente o creme de limão.
Leve à geladeira para endurecer por no mínimo 5 horas.
Decore com raspas de limão!


Dica: Se não for desenformar o doce, não precisa acrescentar o 1/2 pacote de gelatina sem sabor no creme de limão.

Nota da redação: Se comer Pavê, não dirija.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Cerveja dos Brassadores leva Medalha de Prata em Evento de Confraria Mineira

No que diz respeito a cerveja, esse foi um final de semana e tanto para os Brassadores. Parte da equipe iniciava a 3ª Jornada Cervejeira na Cervejaria Invicta e parte estava em São Paulo no primeiro final de semana do curso de Fermentação da Acerva Paulista em parceria com a Dr.Yeast. Enquanto isso rolava o 16º Encontro da Confraria Cervejeira de Poços de Caldas - MG.

Não podíamos revelar antes em virtude das regras do evento, mas havíamos sido convidados para participar com uma cerveja, e a "Lulupulada", nossa American Pale Ale, foi a selecionada. O evento, que aconteceu nessa sexta feira, dia 22 de maio, contou com 51 participantes entre harmonizadores e degustadores e consistiu em  uma degustação às cegas  onde participaram tanto cervejas que estão nas prateleiras das lojas como cervejas artesanais caseiras produzidas por homebrewers

As cervejas foram servidas

sem qualquer identificação ou informação e a cada rodada o degustador deveria preencher uma ficha com perguntas sobre a cerveja que estava bebendo, bem como deveria dar uma nota para ela. Nas perguntas os participantes deveriam descobrir características das cervejas como estilo e teor alcoólico. Uma excelente ideia da Confraria, dessa maneira, além de proporcionar uma saudável competição entre os cervejeiros, estimula seus membros a se treinarem e prestarem atenção nas características das cervejas que bebem, o que é fundamental para que se possa aproveitar completamente a experiência de degustar uma cerveja especial. 

O resultado saiu no domingo e ficamos orgulhosos em saber que além de ter sido uma das preferidas da noite e recebido elogios de todos os participantes, nossa APA levou a Medalha de Prata por uma diferença de apenas 0,03 pontos da primeira colocada, a cerveja Monja Hells Old Rotten Gate, uma excelente Baltic Porter local da micro-cervejaria Monja

Além disso, a colocação geral mostra como nossos homebrewers estão produzindo cervejas de qualidade, em um teste cego onde participaram dezenas de consumidores de cervejas especiais, as três primeiras colocadas foram cervejas artesanais produzidas por homebrewers, ficando na frente até mesmo de excelentes cervejas que podem ser encontradas em lojas especializadas por todo o Brasil, como a Bamberg Maibaum e a Sauber Santo Capim. Parabéns a todos os participantes e organizadores e obrigado amigos mineiros, pelo reconhecimento, até a próxima!








sábado, 7 de fevereiro de 2015

A Cerveja do Presidente Obama

Os presidentes americanos vivem cercados por histórias interessantes e privilégios invejáveis; e o presidente Barack Obama sabe aproveitar muito bem dessas regalias. Para não ficar pra trás de George Washington que possuía uma destilaria de whiskey e fabricava cerveja e Thomas Jefferson que produzia vinho, Obaminha, além de receber os episódios de Game Of Thrones antes de qualquer outra pessoa do mundo para evitar "spoilers", bebe uma cerveja artesanal exclusiva fabricada na Casa Branca  especialmente para ele. 

Segundo a Casa Branca, Obama se inspirou nos milhares de homebrewers americanos que produzem sua própria cerveja em casa e decidiu que eles também deveriam fabricar sua própria breja caseira, comprou todos os equipamentos e ingredientes, contou com a ajuda de alguns homebrewers que deram uma orientação e pediu paras seus chefs trabalharem na cerveja no tempo livre.  O mais legal é que é caseira mesmo, feita em uma cozinha com os mesmos equipamentos que todo homebrewer usa, absolutamente reproduzível por qualquer cervejeiro. É inclusive bastante simples. 

O único ingrediente que da um toque de exclusividade na cerveja presidencial é o mel. Todas as cervejas do presidente levam o mel como um ingrediente importante e o que eles utilizam é produzido lá na Casa Branca. Então mesmo um americano não poderá utilizar exatamente o mesmo mel que é utilizado na cerveja, mas isso impactará em uma diferença praticamente imperceptível, pelo menos para a grande maioria das pessoas.  

As receitas foram disponibilizadas na internet e foram apenas traduzidas, eu realizaria alguns procedimentos de maneira diferente, mas entendendo como ela funciona e sabendo quais os ingredientes é o que basta para um homebrewer com certa experiência poder reproduzi-la. As receitas levam uma base de extratos de malte e poucos grãos, o que facilita a produção para quem quiser fazer exatamente como eles mandam. Eu, particularmente, se fosse reproduzi-la substituiria todo o extrato por grãos e isso deixaria a cerveja ainda melhor, mas já podemos encontrar uma boa variedade de extratos de malte a venda no Brasil então também é possível seguir a receita à risca, fica bem mais simples.



Seguem as receitas:

Ingredientes da cerveja White House Honey Ale

  • 1,5 kg de extrato de malte light
  • 450 g de extrato seco de malte
  • 370 g de malte crystal lâmbar
  • 250 g Bisquit Malt
  • 450 g de mel
  • 50 g de Lupulo East Kent Goldings 
  • 50 g Lupulo Fuggles 
  • 2 colheres de chá de gesso cervejeiro
  • 1 pacote de fermento seco Windsor
  • ¾ xícara de açúcar de milho para o priming

Modo de preparo da cerveja White House Honey Ale

  1. Em uma panela, coloque os grãos em 1,5 litros de água estéril a 68 graus. Deixe por meia hora e depois, retire os grãos.
  2. Adicione as duas latas de extrato de malte e extrato seco e deixe ferver.
  3. Para o primeira lupulagem, adicione a  50 g East Kent Goldings e 2 colheres de chá de gesso. Deixe ferver por 45 minutos.
  4. Para o segunda lupulagem, adicionar os 20 g de Fuggles perto dos 15 minutos finais de fervura.
  5. Adicione o mel nos 5 minutos finais de fervura.
  6. Coloque 2 litros de água gelada estéril no fermentador primário e adicione o mosto quente. Cubra com mais água para o total de 5 litros.
  7. Deixe fermentar à temperatura ambiente cerca de 7 dias
  8. Passe para um fermentador secundário, e deixe fermentar por mais 14 dias.
  9. Para engarrafar, dissolva o açúcar de milho em 2 litros de água fervente por 15 minutos. Despeje a mistura em um balde de engarrafamento vazio. Sifão a cerveja do fermentador por cima. Distribua uniformemente o açúcar priming. Deixe descansar de  duas a três semanas em temperatura ambiente.

Ingredientes da cerveja White House Honey Porter

  • 1,5 kg de extrato de malte sem lúpulo
  • 320 g de Munich Malt
  • 450 g de malte crystal 20
  • 168 g de malte black
  • 84 gramas de malte chocolat
  • 450 g de mel
  • 10 HBU** de amargor de lúpulo
  • 20 g de lúpulo com aroma Hallertaur
  • 1 pacote de fermento seco Nottingham
  • 3/4 xícara de açúcar de milho para o engarrafamento

Modo de preparo da cerveja White House Honey Porter

  1. Em uma panela, adicione os grãos para 2,5 litros de água a 75 graus. Misture bem e baixe a temperatura para 68 graus. Deixe a mistura no fogo por 45 minutos. Enquanto isso, esquente dois litros de água a 75 graus, em uma panela grande.
  2. Coe a mistura e depois, acrescente dois litros de água quente.  Descarte os grãos e leve a mistura para o fogo.
  3. Adicione as 2 latas de extrato de malte e mel no pote. Mexa bem.
  4. Deixe ferver durante uma hora. Adicione metade do amargor de lúpulo na marca de 45 minutos para o final da fervura, a outra metade deverá ser adicionada aos 30 minutos. Quando já estiver perto da marca de uma hora de fervura, acrescente o aroma de lúpulo.
  5. Separe e deixe descansar por 15 minutos.
  6. Pegue 2 litros de água gelada e adicione o fermento seco. Depois, junte o mosto quente. Se necessário, cubra complete até chegar à marca de 5 litros. Colocar num banho de gelo para que a temperatura baixe para 23 graus.
  7. Deixe fermentar à temperatura ambiente de 3 a 4 dias.
  8. Para engarrafar faça uma mistura no fogão com uma xícara de água estéril e ¾ de uma xícara de açúcar priming. Deixe ferver por 5 minutos. Despeje a mistura na cerveja fermentada, coloque o líquido em garrafas e deixe descansar por uma ou duas semanas a 23 graus.
*O amargor da cerveja geralmente é medido em IBU que significa International Bittering Units, outra medida usada é o HBU que significa Homebrew Bittering Units. 1 HBU é definido como 28 gramas de lúpulo com 1% de alfa ácido. Não existe uma relação matemática entre IBU e HBU.


Nunca antes havia sido produzido algum tipo de álcool nas dependências da Casa Branca, os outros presidentes citados faziam seu goró em outras regiões dos EUA, mas o mais legal de tudo na minha opinião é o fato de o presidente Obama pedir que a cerveja fosse produzida exatamente da mesma maneira que os homebrewers americanos fazem.
Se alguém já fez ou fizer, deixe os resultados aqui ou, melhor ainda, manda uma garrafinha pra cá!


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Budweiser ataca Cervejarias Artesanais e é Retaliada.

Quase todo mundo sabe que o intervalo publicitário mais valioso da Televisão Mundial acontece durante o Super Bowl nos EUA. Enquanto os grandes campeões das principais ligas de Futebol Americano do país se enfrentam em campo, na televisão são exibidos os comerciais mais caros da história. E a famosa cervejaria americana Budweiser (do grupo InBev) é conhecida pelas grandes produções publicitárias que costuma lançar durante a ocasião, esse ano, porém, a empresa surpreendeu negativamente ao exibir um comercial atacando as Cervejas Artesanais.

Confira o vídeo:

O comercial é malicioso desde o princípio: o vídeo se inicia com imagens de malte de cevada e lúpulo em flor, acompanhados dos dizeres: "Budweiser, orgulhosamente uma Macrocervejaria". Até aí tudo bem, ninguém deve se envergonhar de ser um gigante do setor, mas "curiosamente" não exibiram nenhuma cena dos grãos de arroz que são utilizados na produção de uma Bud. Quem orgulhosamente utiliza apenas Malte e Lúpulo na elaboração de suas cervejas são as MICROcervejarias e não as Macro. Mas essa distorção da realidade com relação aos seus produtos não é novidade em se tratando de propaganda de grandes marcas de cerveja. 

O que se segue, porém, não é mais uma tentativa de cativar o público ou mostrar que possuem um produto diferenciado e sim um ataque direto ao CONSUMIDOR de cervejas artesanais. As próximas cenas mostram alguns "Hipsters" degustando cervejas variadas em diferentes copos em meio aos dizeres: "Nossa cerveja não é fabricada para ser mimada" e "Fabricada para ser bebida e não dissecada", em uma clara crítica ao costume que os consumidores de cervejas artesanais possuem de analisar a cerveja em seus mais variados aspectos, começando pela aparência, depois aroma e só então levando a bebida à boca. E continua: "As pessoas que bebem nossa cerveja são pessoas que gostam de beber cerveja". 

Esse hábito de apreciar a cerveja ao invés de simplesmente engoli-la aos litros não deriva do fato de o consumidor de cervejas artesanais ser um "hipster fresquinho", isso ocorre porque as cervejas que bebemos são bonitas, possuem colorações e tonalidades das mais variadas e são extremamente aromáticas e saborosas. Ninguém faz isso quanto bebe uma Budweiser ou uma Brahma porque não há nada novo a ser apreciado ali, elas sempre são iguais na aparência, não tem aroma nenhum e nem gosto. Servem apenas para matar a sede e embriagar. Ao contrário do que sugere o comercial, quanto mais uma pessoa gosta de beber cerveja, mais essa pessoa irá procurar por estilos e sabores variados e não viver empacado em uma única marca que é quase igual a todas as concorrentes.

O vídeo continua com os dizeres "Fabricada à maneira mais difícil", o que é uma incoerência sem fim, pois quem faz cerveja "brewed the hard way" não é a InBev, que possui fábricas enormes e equipamentos automatizados de última geração, cerveja feita à maneira mais difícil é a cerveja brassada pelas pequenas cervejarias que se utilizam de processos artesanais e a presença do cervejeiro é fundamental em todos os pontos da produção.

E finalmente o último e mais infeliz ataque aos bebedores de cervejas artesanais, enquanto são exibidas torneiras de chopp de variados estilos de cerveja aparecem os dizerem: "Deixe-os sorverem suas cervejas de abóbora e pêssego". São tantas contradições nessa frase que dá até pra se perder. Primeiro os americanos têm orgulho de suas Pumpkin Ales (cervejas com abóbora) comemorativas lançadas normalmente apenas perto do Halloween e segundo porque a última aquisição do grupo foi a Elysian Brewing, uma microcervejaria que produz exatamente esse estilo de cerveja!

No meio da confusão toda aparecem também os dizeres "Esta é a única cerveja", "Só há uma Budweiser" e "Esta é a famosa Budweiser Beer". Se esqueceram no entanto de mencionar que o nome Budweiser foi roubado de uma cervejaria da cidade de Budvar na Republica Tcheca, a primeira e autêntica Budweiser, de quem a americana surrupiou o nome, registrando a marca nos EUA antes que a cervejaria tcheca o fizesse.

O comercial tem gerado enorme repercussão, não se fala em outra coisa no cenário cervejeiro mundial e as pessoas estão tomando partido. Obviamente entre as Microcervejarias americanas o vídeo não foi muito bem visto e elas não perderam tempo em contra-atacar a gigante cervejeira. Até mesmo algumas brasileiras estão respondendo.

As respostas que você também confere aqui no Blog vieram em forma de imagens e vídeos que seguem o estilo do comercial milionário, A Abita Brewing e o Hopstories fizeram estes vídeos:


o vídeo possui frases como "Não somos um cachorrinho de exibição" (provavelmente uma alusão ao comercial da Budweiser no Super Bowl do ano passado, em que o personagem principal era um filhotinho de cachorro. ) e "Sim, nós fazemos cerveja de abóbora e pêssego e é uma delícia", "Nós não fazemos apenas um estilo de cerveja" "Nós fazemos cerveja para se beber, degustar e aproveitar".


Tradução: "Cerveja Artesanal, orgulhosamente produzida por pessoas. Não é produzida para ser repreendida, é produzida para ser apreciada, é a única cerveja cheia de sabores. Existem muitas Cervejarias Artesanais, cada uma delas oferece sabores únicos. Apenas a Cerveja Artesanal é produzia a mão, a verdadeira "maneira difícil". Nós vamos saborear nossas centenas de estilos, continue empurrando o seu único. A cerveja artesanal é nova, é excitante e chegou para ficar. Beba uma artesanal".


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A Cervejaria Mikkeller enviou uma carta sensacional para a Budweiser para que a Ambev compareça ao Copenhagen Beer Celebration que acontecerá dias 1 e 2 de maio de 2015 em Copenhagen. A carta segue na íntegra, mas basicamente o texto diz que a Mikkeller é uma pequena cervejaria da Dinamarca e que eles viram o comercial no Super Bowl mas que nunca olharam para a Budweiser como uma oponente ou um competidor direto e que eles apreciam as diferenças na comunidade cervejeira, mas que o comercial passou a impressão de que algo mudou e que talvez fosse uma boa ideia eles se reunirem para poderem se entender melhor. Na sequência o texto explica como funciona o evento, dizendo que cada cervejaria convidada leva algumas cervejas especiais, aquelas de que eles mais se orgulham e sugere que a ImBev leve um lote especial envelhecido da sua cerveja de abóbora e pêssego chamada Elysian que provavelmente faria bastante sucesso na Europa já que é um estilo que não se encontra por lá e é tão popular na América, mas adverte que não podem levar nenhum tipo de cartaz ou propaganda, é um evento apenas para cerveja, que haverão mais de 40 cervejas diferentes e esperam que eles aceitem o convite pois será muito prazeroso. Um belo tapa com luva de pelica, não?





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A Miller Coors, uma Macrocervejaria, divulgou essa imagem também em resposta ao comercial, onde dizem acreditar que todas as cervejas devem ser "mimadas" pois apenas assim é possível produzir verdadeiras obras primas, e cita seus rótulos descrevendo-os. Continua dizendo que qualidade não é exclusividade de apenas um estilo de cerveja ou de uma cervejaria, é algo que pertence a todas as pessoas que se comprometem em produzir e distribuir de maneira consistente as melhores cervejas do mundo, que eles acreditam que estão cumprindo com esse compromisso com todos os seus rótulos e estilos. E que certamente eles sabem que não são as únicas pessoas apaixonadas produzindo cervejas de grande qualidade, que produzir qualquer cerveja é um ofício e que quando bem feito deve ser respeitado.
Vá em frente, mime-a e disseque-a; nossa cerveja é feita do jeito difícil.
"Produzida à maneira apaixonada" - a brasileira Bamberg também respondeu.



A minha opinião é de que isso tudo é muito divertido de se acompanhar e agora está mais do que provado que as cervejarias artesanais estão causando medo nas gigantes do setor. Alguns ainda estão dizendo que está se fazendo muito barulho por pouca coisa, mas ainda assim achei o comercial desrespeitoso, não faz o menor sentido atacar o consumidor de cervejas artesanais, até porque a imensa maioria deles também consome as cervejas populares - e bem feliz - em várias ocasiões, apenas temos a consciência de que existem inúmeros outros estilos de cerveja que são muito mais complexos e gostosos de se beber. De maneira arrogante o comercial desrespeita não só os consumidores como todas as cervejarias artesanais, desmerecendo o cuidadoso trabalho que é realizado de maneira verdadeiramente apaixonada por essas pessoas. O Império está se sentindo incomodado, viva a Revolução Cervejeira!































sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Chope Blonde Ale

Amostra Maltes Utilizados
Ainda não postei nenhuma Brassagem por aqui para fazer jus ao nome do Blog, mas isso acaba hoje!
Não quero fazer um texto muito técnico para que todos possam aproveitar e não só os homebrewers, mas alguns detalhes mais específicos não podem ficar de fora para que o texto também possa auxiliar quem faz cerveja em casa.
A estreante será uma Blonde Ale que não vai para a garrafa e sim para o barril! É um estilo suave e refrescante, m
uito bom para se beber o dia todo em um churrasco.
Mas não é porque será uma cerveja fácil de beber que precisa ser sem graça, então para aumentar a complexidade aromática e de sabor, além da base de Maltes Pilsen (Inglês e Belga), decidi adicionar um pouco de malte Vienna (alemão), que além de contribuir para a cor dourada deverá aumentar a presença adocicada de malte na cerveja, dando toques de biscoito. E para deixar tudo um pouco mais interessante, Malte de Centeio belga, que também vai contribuir para a cor, além de dar um toque de sabor único de centeio.
      








O Lúpulo escolhido combina com a proposta da cerveja até no nome, é uma variante Australiana
 chamada "Summer" que possui um forte aroma frutado que remete a damasco e melão. Esses aromas deverão ser mais pronunciados depois que o processo de Dry Hopping estiver finalizado. Amargor não é uma característica que estou buscando nesta leva, apesar de o estilo pedir um nível de amargor que varia de 15 a 28 IBUs, que para cervejeiros mais experientes já não é um nível muito alto, para muitas pessoas mais pode ser amargor demais, então vamos deixar o nível de IBUs entre 9 e 10 que está dentro da faixa das populares American Lagers.
       


Starter
O lúpulo deverá ser notado muito mais no aroma do que no paladar, então optamos por uma cepa de leveduras Americanas que propicia um aroma muito limpo, perfeito para destacar o lúpulo. Como a produção foi de mais de 80 litros precisamos fazer a propagação das leveduras por um processo chamado "starter", para elevar o número de células viáveis que seriam inoculadas no mosto até a quantidade necessária. Para isso, ao invés de utilizarmos extrato de malte utilizamos o meio para Starter  da Dr.Yeast que é um laboratório brazuca de manipulação de leveduras. Além de fornecer o meio necessário para elas se reproduzirem possui uma tantada de nutrientes que eles prometem contribuir muito e em diversos aspectos com a fermentação.

       
       

A brassagem foi feita com recirculação constante de baixo para cima. O foco foi a "beta-amilase" que extrai açúcares mais fermentáveis dos grãos, gerando uma cerveja mais leve e refrescante. Tudo correu bem, a lavagem dos grãos foi feita por meio de Fly Sparge e seguimos para a fervura, que foi branda para evitar qualquer caramelização, o que não é desejado nesse estilo.

Utilizamos a técnica de "First Wort Hopping" para a primeira carga de lúpulos e as demais adições se concentraram todas no final da fervura já que não se busca amargor e sim aroma e sabor.





Terminada a fervura rapidamente resfriamos o mosto para 23 Graus ao mesmo tempo que o oxigenamos e em seguida inoculamos as leveduras.
A fermentação se iniciou em pouco mais de 12 horas após a inoculação e se manteve constante e vigorosa por mais de uma semana, agora a atenuação está finalizando e em breve iniciaremos o Dry Hopping para completar o aroma de lúpulo. Depois que isso acontecer atualizarei a coluna novamente com os detalhes e assim sucessivamente até finalmente beber esta danada.

















**Atualização***
Realizamos o Dry Hopping com o Summer e seguimos direto para a maturação.
Depois de maturar por cerca de 20 dias, filtramos, embarrilamos em 4 Kegs de 20L e realizamos a carbonatação forçada.

Finalmente pronto para ser bebido, está excelente!
Com espuma abundante e coloração dourado intenso, levemente turva em função do Dry Hopping, que funcionou como eu esperava pela quantidade de lúpulo usado, facilmente nota-se o aroma lupulado, porém é suave.
O sabor ficou deliciosamente complexo, pode-se perceber algo que quase lembra tuti-fruti em função do lúpulo e que logo da lugar ao sabor do Centeio e do malte Vienna. A carbonatação deixou a cerveja leve e refrescante, perfeita para ser bebida o dia todo. Está uma delícia!


       Dados Técnicos:

-Aparência: Coloração Dourada, suavemente opaca - SRM: 4,5 - EBC -9 - Espuma branca abundante e persistente.
-IBU: 9,5 - Este foi o único Atributo que ficou um pouco abaixo dos parâmetros do estilo, mas isso foi proposital. Como o chope será bebido por quem não tem o hábito de beber cervejas lupuladas, um amargor mais elevado talvez causasse estranhamento.
-Teor Alcoólico: 4.8% Abv



 
       

          
       

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Kölsch Abaixo de Zero

            Uma das primeiras coisas que aprendemos quando estamos iniciando no Universo Cervejeiro é que as temperaturas extremamente baixas não são tão aliadas da cerveja quanto costumávamos crer. Na realidade, apenas uma parcela dos diversos estilos de cerveja existentes é que são apropriados para serem consumidos "estupidamente gelados". Isso ocorre porque nossas papilas gustativas acabam sendo anestesiadas quando entram em contato com o líquido muito gelado, o que nos impede de sentir os sabores mais complexos que uma cerveja mais elaborada possui. 
             Mas o tema da postagem, apesar de ainda ser gelado, é outro, nessa semana subestimamos nosso novo fermentador e o resultado foram mais de 80 litros de Kölsch totalmente congelados, senhores! Precisamos descartar tudo, uma tragédia! 

Aviso: As imagens a seguir são fortes.



              Aconteceu o mesmo que acontece quando se esquece uma garrafa de refrigerante no congelador e ela congela completamente;  quando começa a descongelar, o xarope derrete primeiro e se separa da água, detonando a coisa toada. Aqui foi exatamente isso. Na foto ao lado, o que parece espuma na verdade é gelo. A água ficou congelada e o que derretou foi uma espécie de xarope de malte. 




               
              








 
              Precisamos circular água morna pelo fermentador para acelerar o derretimento pois levaria alguns dias até que esse negócio retornasse ao estado líquido. 
                   Pois é meus amigos, nem tudo são flores na vida do cervejeiro!


sexta-feira, 7 de março de 2014

Chernobyl Brown Ale - Parte I

          Já faz algum tempo que pretendo publicar artigos mostrando  passo a passo a elaboração das cervejas, mas os fermentadores estavam ocupados com outras levas que eu não havia registrado o suficiente para fazer uma postagem.
          Ainda não me decidi sobre como farei estes artigos, mas como quero publicá-los logo, não vou esperar até que a cerveja fique pronta para postar, primeiro farei uma espécie de review de algumas cervejas que possuem semelhança com a que desejo produzir e posteriormente vou postar um novo artigo com a Receita e a Brassagem e então vou atualizando a postagem a cada nova etapa, provavelmente assim ficará até mais completo. 
         Para elaborar uma receita, depois de pesquisar bastante sobre o estilo e os ingredientes, gosto de degustar algumas cervejas que possuam os mesmos ou pelos menos ingredientes semelhantes aos que pretendo utilizar, para conseguir entendê-los na prática e finalmente concluir a receita com base no que percebi e gostaria de produzir. 
          Para essa Brown Ale selecionei alguns rótulos que encontrei na prateleira do supermercado e que acredito possuírem uma ou outra características que desejo obter quando a cerveja estiver pronta. 

                                                                      

            BROOKLYN - BROWN ALE:
          Foi a única cerveja da lista exatamente no estilo da cerveja que pretendemos fazer, muitos cervejeiros a consideram uma das melhores Brown Ales do mercado, além de ter um preço acessível. De fato é excelente, de cor âmbar escuro, próximo ao tom de uma garrafa de cerveja, translúcida; nota-se no aroma suaves notas de torrado e caramelo e percebe-se também o aroma herbal do lúpulo. O mesmo acontece com o sabor, é possível sentir um suave amargor torrado e também de lúpulo. Espuma cremosa que diminui rapidamente, mas continua no copo até o fim. Boa Drinkability.







          EISENBAHN - RAUCHBIER
         Confesso que não conhecia o estilo (Rauchbier), escolhi esta por indicação da Livia e do Daniel, um casal de grandes amigos cervejeiros que me alertaram sobre o incrível sabor defumado dessa cerveja. A cerveja me surpreendeu, eles não exageraram ao dizer que parece carne defumada. Com pouca (pouquíssima) espuma - apesar de isso poder ser culpa minha, que talvez não tenha secado adequadamente o copo depois depois de beber a Brooklyn - e uma cor que lembra chá mate, acreditem quando digo que o aroma é exatamente o de carne defumada. E fica melhor: O sabor também. Não há descrição melhor, esta deliciosa cerveja tem cheiro e sabor de carne defumada. Pode parecer estranho, mas não é, é delicioso. Altíssimo drinkability, mal se nota o teor alcóolico que não é nada baixo, 6,5%. Perfeita para acompanhar petiscos sabor churrasco e carnes em geral. Não é exatamente o tipo de sabor defumado que procuro para esta Brown Ale, mas definitivamente farei uma Rauchbier em breve. 





          WAY BEER - CREAM PORTER
          Apesar de se tratar de uma Porter, cerveja que inclusive já fizemos, escolhi esta Cream Porter por sua prometida cremosidade oriunda de flocos de aveia não maltada. Com um delicioso aroma de café e toques de caramelo, não se nota tanto o lúpulo nem no aroma e nem no sabor, que também remete a café e caramelo. A espuma é média, porém se mantém no copo por bastante tempo e é muito cremosa. Sem falsa modéstia, me senti orgulhoso ao notar fortes semelhanças com a Chernobyl Brown Porter que produzimos alguns meses atrás. É mais cremosa, porém. Me lembrarei da aveia em nossa próxima leva de Chernobyl Brown Porter. 




                 EISENBAHN 5 ANOS - AMBER LAGER
         Se a Eisenbahn Rauchbier me surpreendeu positivamente, essa aqui teve o efeito oposto. É uma cerveja muito bonita, com uma bela cor de cobre, translúcida,  formação de espuma média mas que te acompanha até o fim. Quanto ao aroma e ao sabor, pelo fato de ter sido usada a técnica de Dry Hop, eu realmente esperava muito mais. O Dry Hop é usado para realçar o sabor e o aroma do lúpulo e não creio que foram muito bem sucedidos, é possível se sentir o aroma de lúpulo, mas nada muito pronunciado, quanto ao sabor, nota-se bastante o amargor proveniente dos Ácidos Alfa do lúpulo, mas não tanto o seu gosto. É uma cerveja boa, mas apenas isso, já não sei porque a escolhi rsrs.  







  COLORADO TITÃS - BROWN ALE COM LARANJA
          E para finalizar, mais uma Brown Ale, dessa vez, porém, uma que como alega a própria Colorado, transgride um pouco as regras e foge do rigor do estilo, algo que também pretendo fazer, mas de maneira diferente. É uma cerveja muito bonita, escura mas não preta, espuma levemente marrom de boa formação e muito cremosa. Percebe-se suavemente o torrado no aroma. Com um rótulo que chama tanta atenção para laranjas suculentas, pode-se pensar que talvez seja levemente cítrica ou frutada, ledo engano. A cerveja não leva realmente laranja ou suco de laranja como muitos podem vir a crer, mas sim casca de laranja seca, que tem como função dar um amargor que lembra o da bebida Cointreou. É uma cerveja boa, mas devido ao marketing que fazem com o fato de levar "laranja" na composição, pode acabar decepcionando algumas pessoas que talvez procurem pelo sabor da fruta, por outro lado, apreciadores de Cointreou vão gostar. 



          Algumas mais outras menos, todas são cervejas muito boas e recomendo todas, mas especialmente a Eisenbahn Rauchbier que é uma cerveja muito diferente e deliciosa. Até o próximo episódio onde postarei a receita da Brown Ale que vamos fazer e o resultado da Brassagem; neste mesmo BatCanal, não perca!








         

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cerveja Hidrata como Água e mais do "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde"

Prática muito conhecida, pelo menos no universo masculino, a de tomar aquela cervejinha marota depois de uma atividade física, principalmente depois de um futebolzinho. Tenho um amigo, aliás, que costumava levar o copo e a garrafa de cerveja para a beirada do campo para se hidratar. “É minha Gatorade”, dizia.
O "Sheldon" está até em dúvida se vai encarar essa Weiss rs
E não é que desde 2011, um estudo apresentado em Bruxelas no "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde", onde participaram especialistas em medicina, nutrição e alimentação da União Europeia, já havia provado que a teoria do nosso sedento companheiro não apenas estava certa o tempo todo, como também é recomendável! 
A pessoa a quem devemos nossa gratidão pela realização deste importante estudo é o pesquisador Manuel Castillo da Universidade de Granada. Ele desejava comprovar se o hábito de beber cerveja após a prática de atividades físicas era de fato saudável e a conclusão a que chegou foi de que uma quantidade moderada de cerveja "não prejudica a hidratação após o exercício". Tomar cerveja seria "a mesma coisa que tomar água", por isso é recomendado o consumo da bebida fermentada a todas as pessoas que não tenham nenhuma contraindicação.
Já o médico o médico Ramón Estruch, do Hospital Clínico de Barcelona, por sua vez, deu seu “show” ao afirmar que os resultados dos estudos mostram que o consumo moderado de cerveja "ajuda na prevenção de acidentes cardiovasculares, graças aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios das artérias". Além disso, proporciona proteção contra fatores de risco cardiovascular, como diabetes, melhora a pressão arterial, regula o colesterol e previne a arterioesclerose, segundo a pesquisa. Para encerrar a participação com chave de ouro, Estruch ressaltou a importância de "consumir a cerveja dentro de um padrão de alimentação saudável,.”
Universo Masculino...tsc, tsc...
E representando a ala das mulheres, Maria Teresa Fernandez Aguilar, pesquisadora da Agência da Saúde de Valência, informou sobre os efeitos benéficos da cerveja sem álcool para as mães lactantes. Ela citou o estudo que demonstrou que crianças amamentadas por mães que consumiram duas cervejas sem álcool durante a lactação têm menos possibilidades padecer de doenças como câncer e arteriosclerose, devido à transmissão dos componentes antioxidantes da bebida. Lembrando mamães, nem toda cerveja dita sem álcool é de fato totalmente isenta de álcool, cuidado! A Brahma 0,0% é um exemplo de cerveja que é de fato sem álcool, e é tão "boa" quanto a Brahma normal.
Durante a conferencia, ainda, foi apresentado um estudo que descartou que exista qualquer relação entre beber cerveja e a famosa “barriguinha de chopp”. Na medida certa, e na medida errada aos finais de semana, uma cervejinha vai te trazer uma vida longa e feliz! Prost!




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vaca Brava - "Beer Shake" de Cerveja Porter.


A postagem de hoje foi dica de um grande amigo meu, que se não é um Brassador, compensa sendo Bravo e, principalmente, Bêbado.  Vem bem a calhar com o clima “vamos ver até onde você aguenta antes de entrar em combustão espontânea” que temos enfrentado. Trata-se de um “Beer Shake” que lembra a famosa “Vaca Preta”, mas usando cerveja Porter no lugar de Coca-Cola.

Para deixar com mais cara de Milk Shake usei também calda de chocolate e Ovomaltine. Por que Ovomaltine? Porque funcionou no Bob’s. Usei 3 bolas de sorvete de creme, mas imagino que ameixa e chocolate sejam boas opções também. 
                                                                          




-Comece colocando a calda de chocolate em toda a volta do copo. 






-Na seqüência coloque metade do sorvete.





-Adicione 200Ml de uma cerveja Porter. 







-Fiz com a Chernobyl Brown Porter, uma cerveja escura que ficou muito boa,  produzida por nós mesmos.



Misture tudo, em seguida coloque o resto do sorvete e uma colher de sopa de Ovomaltine; misture novamente. O achocolatado vai deixar o “drink” cheio de flocos crocantes.
Pronto, decore, caso queira, com mais Ovomaltine e calda de chocolate. A cerveja Porter combina muito bem com esses sabores de sorvete. Especificamente no caso da cerveja que usei, o aroma achocolatado e o sabor amargo puxado para café casaram perfeitamente com todos os ingredientes.
Pode parecer um pouco exagerado “gastar” uma boa cerveja em uma espécie de milk shake, mas o drink é realmente saboroso, e no calor que estamos enfrentando, é uma maneira criativa de beber uma Porter, uma cerveja mais apropriada para um dia de temperatura mais amena. Lembrando que apesar de conter pouco álcool, este ainda é um drink alcoólico. 
             Por hoje é isso, experimentem e comentem!